domingo, 21 de fevereiro de 2010

Iemanjá, a Ladra do Mar

Eu sou muito azarado com acessórios. Colares já tive diversos, talves centenas deles. De bijuteria, desses de sementes, de côco, de tudo quando é tipo. Já tive pulseiras, tornozeleiras e gargantilhas. Relógios e óculos então, já perdi as contas de quantos tive. Sempre perco, empresto, quebro, encho de água, estrago. Enfim, acessórios e eu são duas palavras que não se conjugam.

E quando há uma ajudinha divina, é pior ainda.

Saí da casa onde estava alojado, em Balneário Camboriú (SC), na semana passada. Passei na esquina, comprei um óculos. Coloquei o acessório e saí correndo para a praia, que fica há uns 50 metros dali. Como uma criança feliz, pulei na água e dei aquele mergulhão. Resultado: perdi mais um acessório. Não vou mentir que, apesar dos sete quilômetros de praia, procurei bastante.

Foi quando o Dorival disse pra mim que a causa disso tudo poderia ser a ira de Iemanjá. E eu, claro, aceitei na hora. Muito mais fácil colocar a culpa na coitada do que admitir que é uma tremenda burrice dar um mergulho de óculos numa praia lotada. A partir daí, comecei crer que Iemanjá realmente tem a ver com isso.

O próprio Dorival, um dia antes, perdeu dez reais no mar, mergulhando com grana no bolso. Quase na mesma hora, achei dois reais boiando. Talvez Iemanjá tenha comprado umas duas águas de côco e devolveu o troco. Depois, pegou meu óculos e não devolveu. Ou seja: pegou dez reais de um, deu dois reais pra outro, roubou um óculos (de dez reais) de outro. Resultado: Iemanajá está devendo dezoito reais pra gente. Fora as peripécias que a tal Rainha do Mar deve ter aprontado com mais gente.

Mas por que ela faria isso? Já não bastam as oferendas que a bonitinha recebe dos fiéis? Deixa ela encontrar Poseidon na frente pra ela ver o que é bom!

Os óculos, eu tenho certeza que estão bem ali atrás

Mas, resumindoo, o fato é que ainda tenho esperanças de encontrar meus óculos. Não, não voltarei ao lugar do roubo e nem espero que ela me mande por Sedex.

Marquei uma entrevista com ela pra esclarecer alguns fatos. Quem sabe ela me convence de que não foi ela que levou o dinheiro, os óculos e devolveu o troco. Ou então, se foi ela mesma, me explique o porquê.

A entrevista com Iemanjá, a Ladra do Mar, você confere aqui mesmo no blog, na semana que vem.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Coisas de horário de verão

Quando eu era criança, em tempos de trasantontem, eu não via a hora de chegar outubro e ficava triste quando chega final de fevereiro. O horário de verão sempre foi uma alegria danada, tanto pra mim quando para meus amigos.

Horário de verão era sinônimo acordar junto com o sol, sentir cheiro de orvalho fresco e parecer que você era o primeiro no mundo a acordar. Isso era a parte da manhã.

Mas a parte da tarde era a melhor. Além de poder sair da escola e ir direto para o campinho, podíamos descansar um tempão, pra ir jogar futebol de novo e bets mais tarde, até oito e meia da noite, sem ver o tempo passar. Me lembro que me esquecia até de comer porque quando escurecia era hora do esconde-esconde. Sem perceber, já passavam das dez e meia e era hora de dormir pra começar tudo de novo.

No entanto, conforme o tempo passa, já não dá mais pra fazer isso e o horário de verão foi se tornando uma grande chatisse. Juro que quando dava sete da noite até pensava: nossa, a essa hora poderia estar jogando bola ainda. Mas não dava, era hora de estudar e ir trabalhar no outro dia. Descobri que acordar cedo no horário de verão é pior coisa do mundo.

Descobri que sair do trabalho e ir direto estudar no horário de verão é uma das piores coisas do mundo (só perde para acordar). Descobri que, ao chegar do trabalho a gente fica cansado e não dá para descansar com um sol de 40 graus lá fora. A gente fica grudento.

Enfim, são problemas de adulto. Criança não liga pra nada disso. Eu não ligava pra nada disso. Mas hoje eu ligo. Por isso, dou graças a Deus pelo horário de verão terminar hoje e eu ter, pelo menos hoje, uma hora a mais pra dormir.

Mesmo assim, acho legal ver a criançada aqui na rua de casa fazendo as mesmas coisas que eu fazia na idade deles. Tudo por causa do horário de verão. Tomara que eles aproveitem bem, porque o horário de verão é o horário da criançada. Foi feito para elas.

Hoje em dia, não vejo mais muitas vantagens não. Uma das únicas é a tal economia de energia, mas eu nem sei se isso existe mesmo. A outra, na verdade uma curiosidade, eu descobri agora:

Comecei a escrever esta postagem às 23h40 do dia 20 de fevereiro e terminei às 23h5 do mesmo dia! A mudança de horário fez com que eu escrevesse tão rápido, mas tão rápido, que eu terminei a postagem antes mesmo de começá-la.

Isso realmente foi incrível!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Sem assunto

Tenho exatamente 15 minutos para pensar e escrever alguma coisa aqui no blog. Isso porque estou em uma lan house e tinha exatamente o preço da hora no bolso: R$ 2,50.

Preciso escrever uma postagem.

Mas 15 minutos é muito pouco. O que dá para fazer em 15 minutos?

Talvez almoçar com pressa. Fazer 5 miojos. Ou que sabe jogar paciência. Sei lá. Dá até para fazer um filho. Ô, se dá. Poderia até escrever sobre isso, mas não sairiam mais do que "ohs" e "ahs".

13 minutos.

Droga, o tempo está acabando e eu não sei ainda o que escrever. Posso escrever sobre o intervalo de um jogo de futebol. Mas também não tem muita graça. Estou no litoral, poderia escrever sobre isso. Mas como acabei de chegar, não tem muita coisa. Ficaria bem chato.

11 minutos.

Nossa, tem um livro do Paulo Coelho com esse nome. Ou não é dele? Deixa eu pesquisar no Google.

9 minutos.

Realmente é do Paulo Coelho, publicado em 2003. Mas agora não tem mais graça, demorei demais pra procurar e ainda publiquei a postagem sem querer e já me atrapalhei pra consertar. Meu tempo está acabando e, no fim, acho que não vou escrever sobre nada, não é?

Pensando.

Pensando.

Pensando.

7 minutos.

Bom, vou postar.

Esta é a pior postagem já publicado aqui no blog. Aliás, acho que é a pior postagem publicada em todos os tempos desde quando existe internet.

Tenho vergonha de mim mesmoo por isso!

Perdão!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

"Informar para tranformar"

Este é o lema da autora do blog "Diário de um repórter", a Ariane Fonseca, de Lorena, São Paulo.

Ela está no 4º ano de jornalismo e mantém um blog bem legal. Pelo jeito ela é bem idealista e diz que escolheu o jornalismo para poder mudar o mundo. Por isso, o "informar para transformar". E outra: ela escreve muito bem.

Uma das últimas postagens dela foi "40 motivos para se casar com um jornalista". Quem estiver procurando alguém para juntar as trouxas, dá uma lida lá. Me procura que eu passo meu telefone. Se com 40 motivos ninguém me quiser, eu entro para o seminário.

O único problema é que ela é corinthiana. Mas ninguém é perfeito mesmo.

Vale a pena dar uma passadinha no "Diário de um repórter".

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Nota de falecimento

Não vou colocar foto. Não vou escrever um longo texto. Não vou ficar escrevendo aqui o que já foi tanto falado, o que já foi tanto discutido em tantas mesas redondas de tantas emissoras de televisão e rádio. Não vou. Não precisa.

Gostaria apenas de prestar minha solidariedade e meus sinceros pesares em relação ao falecimento de Rogério "Não Sabe Perder" Ceni. Porque ser humilhado duas vezes em um mesmo jogo, como mandante, contra um arquirival, por um moleque com um terço de sua idade, e por outro que já havia lhe causado tantas outras tristeza e que ainda povoava seus pesadelos todas as noites, realmente não é fácil.

Em épocas de tanta alegria, verão, carnaval, este glorioso senhor não merecia passar por isso. Primeiro naquele penalti que nem foi, afinal, não é futebol americano? Depois, naquela paradinha tão covarde. Tanto esforço para dar aquele salto, afinal, ele não poderia relaxar contra o arquirival. Superou as artrites, artroses, osteoporoses, miopias, tromboses, calvices e andropausas para, num esforço sobrehumano, dar aquele salto para pegar a pelota.

Mas aquele covarde parou. Mesmo meia hora parado ali, caído, Ceni não consegui voltar. O moleque parou, riu, tomou leite com chocolate, soltou pião e papagaio, chupou picolé, brincou de pique esconde e fez mágicas no baralho antes de bater o penalti, que passou devagarinho ao lado do pé esquerdo necrosado do velhinho, que não pode fazer absolutamente nada, a não ser pedir ajuda para se levantar.

Este ano, ele não vai pular carnaval, pulou muito antes.

No segundo tempo, a humilhação dobrou quando o senhor de palavras tão bem cauculadas quanto impensadas viu o outro menino. Mais experiente e forte. Ficou desesperado. Tanto que nem os aparelhos que o mantinham vivo conseguiram suportar. O moleque pegou tão rápida a bola, de letra, que nem se o velho goleiro estivesse em ótima fase como na época do Brasil colônia, ele conseguiria pegar. A bola bateu lá no fundo e derrubou o balão de oxigênio que estava pendurado na trave. Foi o fim para ele.

Tentaram a reanimação, mas a outra equipe tinha armas muito melhores e mais bem preparadas. Restou ao São Paulo desligar os aparelhos e esperar pelo fatídico fim. Mas era de se esperar porque um santo só não pode vencer todos os santos. Ainda mais com anjos que pedalam, voam e bailam em campo. Foi covardia.

Meus pêsames aos são-paulinos e ao senhor Rogério "Não Sabe Perder" Ceni.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Duro na praia

Há algum tempo venho enfrentando uma séria crise financeira. Nunca deixei de pagar em dia as contas do mês. Semopre fui uma pessoa totalmente disciplinada neste quesito. Mas nos últimos tempos, com álbum de formatura (ai, como me arrependo), seguro obrigatório da moto (que estava atrasado desde agosto e eu paguei no final de janeiro), e muitas e muitas despesas, não sei como consegui me virar até agora, pois só recebo no dia 10 e tenho três reais na carteira.

Cada real que sai dela eu quase choro.

Acho que é por isso que eu estou escrevendo num blog, às oito e meia da noite de um sábado muito quente, dentro de um quarto mais quente ainda. Fazer o que? Ir à festa? Que nada, nem gosto. Ir ao pré-carnaval? Que nada, prefiro ficar em casa, assistindo TV e derretendo.

Em janeiro, tive de escolher algumas contas pra pagar. Escolher não, sortear. Coloquei todas as contas em uma caixa e sorteei quais seriam as felizardas que seriam pagas na primeiro mês do ano. As que ficaram pra trás serão pagas em fevereiro. E ai da loja que me ligar cobrando! Ela corre o sério risco de não participar do sorteio no mês que vem!

Com este monte de contas pra pagar, tantas prestações e preocupações, só tenho uma coisa a fazer este mês. VOU VIAJAR PRA BALNEÁRIO CAMBORIÚ NO CARNAVAL!

Já reservei minha passagem na excursão. Vou pagar em três vezes no cheque.

Minha avó, sempre cautelosa me disse: "Reclama tanto de falta de dinheiro e vai à praia..." Mas eu respondi: "Se eu não for, vou reclamar do mesmo jeito e o dinheiro vai faltar do mesmo jeito." Ela disse: "Mas e as contas?" Eu respondi: "Que contas? Ah, me fala de contas só no mês que vem. Até lá e preparo outro sorteio."

Vou durasso à praia. Ainda bem que temos direito a almoço, café e janta.

O importante é que eu vou. E terei história pra contar depois. Só não vou à praia de nudismo, porque lá não pode entrar duro.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Os Vermes



"Vermes e políticos têm mais em comum do que se pensa. Ambos fazem caminhos tortuosos, estão em todos os lugares e preocupam-se, antes de tudo, com sua sobrevivência. Há porém uma diferença: os políticos tentam entender a natureza da política, os vermes, a política da natureza. Eu, que conheci estes dois tipos de vermes, sei do que estou falando."

Este é um trecho do prefácio do livro "Os Vermes", de José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta. Aí ele já começa interessante, porque o prefácio é escrito por ninguém menos que Nicolau Maquiavel (psicografado).

O livro conta a tragetória de Eurytrema pancreaticum, um simpático vermezinho, desde quando ele entra em um corpo humano até sua morte. Este corpo humano é de um político muito corrupto que o autor chama de Ele.

O legal da história é que as tragetórias dos dois (verme e político) são muito parecidas. O político quer ser presidente da cidade, que tem a forma de uma pessoa. Na cidade, cada órgão do corpo é um lugar da cidade que remete àquela parte do corpo. A cidade é o Zoológico e todas as pessoas tem nomes de animais.

Já o vermezinho vai conhecendo o corpo humano inteiro, conhecendo a religião Excrementista e vai recebendo os sete sacramentos nojentos ao longo da vida. Assim, ele conhece seu hospedeiros e o leitor vai percorrendo o corpo do homem na visão de um verme.

E o melhor de tudo: é super engraçado e inteligente.

Como já disse algumas vezes, adoro livros que têm capítulos curtos. E este tem. Curtíssimos até. Não passam de três páginas. São praticamente duas histórias paralelas: a do verme e a do político. E o final é muito legal, mas eu não vou contar.

Uma coisa chata é que às vezes ele fica meio monótono no meio. Mas é pouco. Totalmente superável. Paguei RS 15,00. Um pouco caro, por ter sido comprado em um sebo, mas não me arrependi. Foi um dos livros mais criativos que já li.

No final, dá até vontade de participar da religião Excrementista. Você acaba mesmo se convencendo de que tudo é excremento. Ou melhor, do excremento viemos, para o excremento voltaremos.

Como diz o próprio autor, há dois seres dos quais nós não conseguimos nos livras: os políticos e os vermes.

Honra e Glória ao Grande Excremento!

Opa, me empolguei...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Comecei bem

O relógio despertou exatamente às 6h30. Minha ideia era correr. Como era de se esperar, levantei. Abri a janela. Ainda estava tudo escuro. Como era de se esperar, desliguei o despertador e dormi de novo. O relógio despertou de novo às 7h30, mas eu só me levantei às 7h50. Tomei banho. Colhi ovos, leite, lã, romãs, cana e laranjas. Vendi o porco e comprei outro. Cheguei dez minutos atrasado no serviço.

Saí para fazer matéria. Entrevistei uma enfermeira da Secretaria de Saúde. Entrevistei a secretária de Educação. Entrevistei o Corpo de Bombeiros. Já não me lembro mais os assuntos. Pensei e chamar o cinegrafista pra ir comer uma salsicha enrolada em massa de pastel com queijo. Me lembrei que só tenho dois reais na carteira até o dia 10. Desisti. Editei. Almocei. Dormi. Editei. Editei. Fui embora. Pensei em abastecer a moto. Lembrei que só tenho dois reais na carteira até o dia 10. Desisti. Ainda bem que o tanque da moto tem reserva. Passei na Camila e combinei de ir quinta ou sexta-feira assistir "2012" no cinema.

Dei aula de violão. O padre veio benzer a casa. Mexi no guarda roupas e achei trinta reais (será que foi o padre?). Nunca fiquei tão feliz. Estou pensando em pedir pro padre vir amanhã de novo. Abri o computador para ver as contas do mês. Nunca fiquei tão triste. Fui pra academia. Fiz abdominais e caí do banquinho. Tentei me levantar com o braço direito. Não tive forças e caí de novo. Todo mundo riu. Passei na Joice e jantei. Ela me fez agradecer ao pai dela que comprou a comida, à mãe dela que fez a comida, ao irmão dela que me fez companhia, e a ela que me deixou jantar. Estava muito boa a comida, apesar de meio fria. Conversamos. A Joice está cada dia mais bonita. Chegaram o Douglas a Thalita e a Aline. A Thalita está cada dia mais pernuda. Tomamos sorvete. O Lu é muito legal, mas é adolescente e sempre está de TPM.

Fui embora. Tomei banho. Colhi ovos, leite, lã e romãs. Roubei algumas coisas, mas ainda não passei de nível. Tentei responder o mais cordialmente possível o recado da Fran. Respondi recados no orkut. Vou ler mais "O Chalaça", que está muito interessante. Ainda tenho uma leve esperança de acordar às 6h30 pra correr. Mas vou rezar o terço pra que chova amanhã cedo. Vou colocar o relógio pra despertar.

Se eu for correr, amanhã tem postagem.

Por favor, não entrem no blog amanhã.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Um domingo...

Acordei às 7h15 achando que o relógio não despertou. Comecei a me arrumar. Descobri que faltavam 15 minutos para o relógio despertar. Dormi de novo. Acordei às 7h45 com a minha avó esmurrando a porta. Me lembrei que esqueci de colocar o relógio pra despertar. Me arrumei e fui pro encontro da Campanha da Fraternidade 2010. Cheguei vinte minutos atrasado. Comecei a anotar freneticamente tudo o que o padre Amilton falava. Meia hora depois, ele disse que aquilo era só introdução e que agora é que ia começar a primeira parte. Parei de anotar.

Meu tio me mostrou as sandálias novas dele. Notei que parecem de profeta. Acho que ele não gostou da comparação. Nossa, como a Carminha está gorda. Nossa, como tem gente metida (Marlene) na igreja. Discuti com a Lucélia sobre Colheita Feliz e os novos enfeites de carnaval. O café foi a melhor parte. Na metade do encontro ninguém anotou mais nada. Percebi um loira muito bonita que eu não conheci. Percebi que a conhecia sim. Era a Silmara. É que ela ganhou uma transformação no programa da Cloara Pinheiro. Não posso perder o programa da Cloara terça-feira.

Percebi que meu tio estava tentando esticar a camiseta para disfarçar a barriga. O encontro terminou meio-dia. Até agora não sei direito qual o tema da Campanha da Fraternidade deste ano. Fui embora preocupado com minha Colheita Feliz. Cheguei em casa e fui direto pro computador. Cheguei atrasado. Já haviam roubado os ovos da galinha, o leite da vaca, a lã da ovelha, romãs e uvas. Ah, se eu pego o Zé e a Simone. Mesmo assim, colhi algumas coisas, mas continuei no nível 18. Almocei marmitex. Ainda não entendo como um pedaço tão grande de carne pode caber no meu dente do siso.

Fui à casa da Camila e consertei o violão do Lucas. Não sei se ficou bom, mas fiz o que pude. Levei o Lucas pra ver a enchente. Levei minha mãe, avó, tia e vizinha no aniversário da filha do Pastel. Assisti cinco minutos de Cianorte x Paraná. Dormi. Acordei uma hora depois e ainda estava 0x0. Busquei minha mãe no aniversário da filha do Pastel. Choveu forte. Fui obrigado a ficar em casa e assistir uma entrevista emocionante em duas ex-BBBs, no Faustão. Parou a chuva. Fui devolver os CDs do Pink Floyd, Bon Jovi, Almir Sater e Guns'n Roses que o João Paulo me emprestou para um final de semana e que eu fiquei três meses com eles. Consegui tirar com a língua o pedaço de carne do meu dente. Engoli. Comi docinhos que minha avó trouxe do aniversário, escondidos numa sacola.

Assisti Fantástico. Vi os gols de domingo. Tomei banho (ah, pensou que eu ia pular esta parte né?). Me recusei a ver BBB. Colhi romãs, canas, ovos, lã e leite. Respondi o recado do Alexandre sobre a hora da academia amanhã. Vi as notícias sobre o Robinho. Escrevi no blog. Vou ler agora uns dois capítulos de "O Chalaça", de José Roberto Torero. Pretendo levantar amanhã às 6h30 para correr um pouco, afinal não quero chegar como um leitão na praia no carnaval. Mas creio que não terei coragem.

Acho que vou esquecer de colocar o relógio pra despertar de novo.

Sem ânimo

Ultimamente tenho pensado em milhares de coisas pra escrever no blog. Mas estou tão sem ânimo pra escrever quanto o meu irmão está para trabalhar.

Por isso as postagens estão um pouco raras por aqui.

Vou rezar o terço todos os dias pra ver se o ânimo de antigamente volta. Ou melhor, vou rezar um inteiro.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

A sorte de hoje

Cara, tem hora que o Orkut inventa cada uma. A pior de todas é a sorte do dia. Não sei de onde tiram aquelas frases mais toscas do mundo.

Mas a de hoje é a pior:

Sorte de hoje: Os jovens têm anseios que nunca passam, enquanto os velhos têm lembranças do que nunca aconteceu.

Nossa... como pode? Alguém me explica como alguém pode se lembrar do que nunca aconteceu? O que a primeira parte tem a ver com a segunda? O que eu to fazendo à 0h22 de uma segunda feira lendo "Sorte de hoje" no orkut em vez de ir dormir porque tenho que acordar cedo amanhã pra ir trabalhar?

É uma calcinha bege.

É de tirar o tesão!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Colhendo o vício!

"Oi, meu nome é Danilo"

"Oi Danilo!"

"Vim aqui hoje, nesta reunião para contar a minha experiência de vida. É algo que está acabando comigo. Algo que me consome a cada dia, a cada momento, a cada instante. Outro dia, cheguei em casa e falei, meio sem pensar:

- Caramba, consegui comprar uma vaca!

Aí, minha avó perguntou:

- Como assim? Por que? Com que dinheiro? Onde você vai guardar?

Daí, eu expliquei que não era uma vaca de verdade. Era na Colheita Feliz, do Orkut. Mesmo assim, ela perguntou as mesmas coisas quando eu disse que havia comprado um porco, uma galinha, um burro, melancias, abóboras, cenouras, nabos e casinhas de cachorro. E ficou mais passada ainda quando eu disse que consegui comprar tudo isso com a venda das coisas que eu roubei. E toda vez eu explico tudo em detalhes e ela sempre pergunta no final:

- Hã?

Coitada, mal sabia ela o vício que estava prester a se instalar no neto dela. No início, achei que seria só mais um joguinho de internet. Mas depois, vi que não era bem assim. O jogo é viciantemente viciante. Não dá para parar. Descobri que é um caminho sem volta.

Você precisa cuidar da sua fazendinha e precisa comprar sementes, plantar, esperar crescer, colher e vender. Conforme vai vendendo, vai ganhando dinheiro e comprando mais e mais coisas, como animais, por exemplo.

Tem alguns produtos que só podem ser comprados com dinheiro de verdade. Dá até pra imprimir um boleto e pagar no banco! Ai meu Deus, quantas vezes cheguei a imprimir o boleto, mas graças a Deus, resisti e não fui."


"plac plac plac plac plac plac", "parabéns", "que lindo!", "que força de vontade"...

"Eu não gasto com isso não, mas confesso que, desde que comecei minha colheita, há umas duas semanas, chego a marcar o horário que as plantinhas vão amadurecer pra colhê-las. Se elas estão maduras, outras pessoas podem entrar na minha colheita e roubar. E eu odeio ladrões.

A Colheita Feliz virou assunto até em roda de amigos. Hoje mesmo, estava conversando numa rodinha quando alguém disse que precisava ir embora pra colher umas abóboras. Daí um outro já disse que conseguiu roubar um caviar de alguém. Outro, que roubou tanto na noite passada, que conseguiu comprar uma ovelha. Outro ainda, disse que precisava pagar um boleto de R$ 7,00 para conseguir moedas verdes. E assim, o assunto rendeu bem uma hora mais ou menos.

Hoje, confesso a vocês: sou viciado em Colheita Feliz."


"Oh!", "ah, meu Deus", "coitado!"...

Minha colheita

"Mesmo assim, admito que não estou fazendo nada para mudar este quadro. Cada nível que eu passo, cada presente que eu ganho, cada ponto de popularidade, me incentivam a ir mais e mais além. A ficar até de madrugada vasculhando orkuts alheios em busca de qualquer ovinho, qualquer leitinho, qualquer nabinho...

Nesta última semana, comecei a vasculhar e roubar drogas mais pesadas. Fiquei meia hora na colheita de uma tal de Cacá esperando o pato dela botar e o pavão dar suas penas. Também roubei mel, caviar e até presentes de árvores de natal. Ganhei um bom dinheiro com isso. Meu organismo não se contenta mais só com coisas pequenas. Quero sempre mais. E isso me incomoda muito, porque por causa disso, estou dormindo poucas horas por noite..."


"Não chora...", "isso passa", "é melhor chorar mesmo, faz bem"...

"Se fosse para eu dar um conselho aos mais jovens, seria este: usem maconha, cocaína, abusem no álcool, no cigarro, na cola de sapateiro, sei lá, mas não entrem na Colheita Feliz. Ela, pode ter certeza, é muito pior.

Hoje consegui chegar ao nível 12. Já estou comprando melancias. Ai meu Deus, tenho medo de chegar a ter nível pra comprar frutas mais pesadas como o cacau, o abacaxi, a pitaya e a cana, apesar de também não ver a hora de chegar!"


"Não diga isso", "tente se controlar", "seja forte"...

"Não, não consigo! Não quero, mas quero! Preciso disso, não vivo mais sem isso. Já não tem mais volta. A sensação é maravilhosa, é magnífica. Quero mais, mais e mais! A vida é linda, tudo é lindo, a Colheita Feliz é linda, minhas abóboras são lindas, minha galinha é linda, meu burro é lindo, minha vaca, minha ovelha, meus morangos. Tudo lindo. E por falar em morangos, acho que já está na hora deles madurarem. Ai meu Deus, minha galinha tá pra botar e minha vaca tá pra dar leite. Meu porco e meu burro precisam de comida. Preciso comprar uma paisagem. Minhas flores desabrocharam. Ai, que desespero. Preciso da colheita... preciso da colheita... vou embora."

"Não, não vá!", "não se renda, lute mais", "lute até o fim", "não vá ainda, espere mais um pouco", "você precisa contar mais", "ele já foi?", "já", "será que ele falou tudo o que comprou?", "ah, acho que sim", "rápido então, vamos roubar os ovos da galinha dele", "e o leite", "e as melancias", "caramba, já estou chegando no nível 26, vou comprar o abacaxi", "anda logo, antes que ele chegue em casa", "nossa, como esse jogo vicia"...

domingo, 17 de janeiro de 2010

O discurso de Zilda Arns

Há pouco mais de um ano tive o grande prazer de entrevistar Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança, em Florestópolis, na festa dos 25 anos da pastoral. A coisa mais incrível que eu vi naquele final de setembro de 2008 é o amor que aquele povo tinha por aquela mulher de sorriso tão fácil e tão atenciosa.

Apesar de minha mãe ser voluntária da Pastoral da Criança há mais de 20 anos aqui em Jataizinho, ainda não tinha a exata dimensão do quanto isso era importante.

Hoje, com certeza, Zilda Arns já está com Deus. Sem dúvida, dando uma mão pra ele, porque sei que o trabalho dela terminou só aqui na Terra. Lá de cima, ela ainda tem muito serviço. Claro, com uma visão bem mais ampla, no sentido mais literal da palavra. O trabalho continua, como ela mesma deixou explícito em seu último discurso, no Haiti.

Leia alguns trechos.

(Para quem quiser ler as reportagens e entrevistas feitas por mim e pelo meu amigo Paulo Eleutério* para o Webjornal ComTexto, sobre a Pastoral da Criançs, pode clicar aqui, aqui e aqui)

"A construção da paz começa no coração das pessoas e tem seu fundamento no amor, que tem suas raízes na gestação e na primeira infância, e se transforma em fraternidade e responsabilidade social. A paz é uma conquista coletiva. Tem lugar quando encorajamos as pessoas, quando promovemos os valores culturais e éticos, as atitudes e práticas da busca do bem comum.

Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos" significa trabalhar pela inclusão social, fruto da Justiça; significa não ter preconceitos, aplicar nossos melhores talentos em favor da vida plena, prioritariamente daqueles que mais necessitam. Somar esforços para alcançar os objetivos, servir com humildade e misericórdia, sem perder a própria identidade. Todo esse caminho necessita de comunicação constante para iluminar, animar, fortalecer e democratizar nossa missão de fé e vida.

Cremos que esta transformação social exige um investimento máximo de esforços para o desenvolvimento integral das crianças. Este desenvolvimento começa quanto a criança se encontra ainda no ventre sagrado da sua mãe. As crianças, quando estão bem cuidadas, são sementes de paz e esperança. NÃO EXISTE SER HUMANO MAIS PERFEITO, MAIS JUSTO, MAIS SOLIDÁRIO E SEM PRECONCEITOS QUE AS CRIANÇAS.

Os resultados do trabalho voluntário, com a mística do amor a Deus e ao próximo, em linha com nossa mãe terra, que a todos deve alimentar, nossos irmãos, os frutos e as flores, nossos rios, lagos, mares, florestas e animais. Tudo isso nos mostra como a sociedade organizada pode ser protagonista de sua transformação. Neste espírito, ao fortalecer os laços que ligam a comunidade, podemos encontrar as soluções para os graves problemas sociais que afetam as famílias pobres.

Como os pássaros, que cuidam de seus filhos ao fazer um ninho no alto das árvores e nas montanhas, longe de predadores, ameaças e perigos, e mais perto de Deus, deveríamos cuidar de nossos filhos como um bem sagrado, promover o respeito a seus direitos e protegê-los."


*Paulo Eleutério acabou de se formar em Jornalismo. O trabalho de conclusão dele, apresentado no último mês de novembro, foi exatamente sobre o trabalho da Pastoral da Criança em Londrina. E uma das entrevistas foi justamente com Zilda Arns.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Moi de repôi nu ái iói

Hoje faz cinco anos que meu avô faleceu. Hoje a Zilda Arns faleceu. Mas como não quero que haja motivo para alguém ficar triste, não vou escrever uma mensagem linda e maravilhosa, daquelas que fazem chorar e tudo mais. Quem já se foi cumpriu sua missão, como a doutora Zilda e meu avô.
Quero celebrar a vida. Por isso, aqui vai uma receita bem mineira, como é a minha avó, viúva do meu avô, que nasceu em Guaranésia (MG), em 18 de agosto de 1938, perto de Três Corações, a cidade do Pelé.

Receita cazêra minêra de:
MOI DE REPÔI NU ÁI IÓI

INGRDIENTE:
5 denti de ái
3 cuié di ói
1 cabêsss di repôi
1 cuié de mastumati

MODI FAZÊ
Casca o ái, pica o ái i soca o ái cum sá. Quenta o ói na cassarola, foga o ái socado nu ói quentim. Pica o repôi beeeeemmmm finim, foga o repôi nu ói quentim junto cum ái fogado. Poim a mastumati i méxi ca cuié pra fazê o môi. Sirva cum rôis e melete.

Isso é bão dimais da conta, sô!


E de brinde, vai um causo beeemmm minêro messs.


(em homenagem à minha avó, donLuzia, que é minêra tamém né)