quarta-feira, 23 de abril de 2008

Abaixo o capitalismo!

Nesse final de semana, vi uma coisa que achei bem legal. Surpreendente até. Não chegou a ser espetacular porque veio de uma criança, e a gente sabe que criança tem o coração puro por natureza.

Eu estava assistindo à uma das semi-finais de campeonato municipal de futebol suíço, lá em Jataizinho (e viva o futebol alternativo). Meu tio estava jogando. De repente, vi meu primo de sete aos, o Guilherme, filho deste meu tio que estava jogando, catando latinhas. Vinha com uma latinha, voltava com outra, pedia a latinha do pessoal que estava bebendo.

Tempo depois, percebi que ele estava ajudando um senhor que estava vendendo amendoim por ali. Ele pegava as latinhas e levava correndo para o homem. E eu estava ao lado da mãe dele, com um olho no jogo e outro nele, até que uma hora que ele passou por mim e pediu R$ 1,50 pra comprar amendoim. Mas o amendoim do velhinho custava R$ 1,00.

A explicação: "Mãe, é que eu quero que ele fique com o troco. Jesus falou assim que quando a gente tem mais que os outros, a gente tem que dividir." Aí, a mãe dele, que estava bebendo uma cerveja, deu a latinha a ele. O Guilherme respondeu: "Obrigado mãe, você vai ter muita saúde, porque você ajudou quem precisa."

E abaixo o capitalismo (isso ele não falou, não).

Se a gente obeservar a renda per capita do brasileiro, dá gosto de ver. Mas a distribuição de renda é algo nojento por aqui. Se a renda é de mais US$ 5 mil por pessoa, e a maioria dos brasileiros vive com um salário mínimo, quer dizer que todo o resto está nas mãos da minoria, não é? O Brasil é o 7º país mais rico do mundo, mas é um dos primeiros também em desigualdade social.

Meu primo, nos altos dos sete anos de idade, inconscientemente já entende que isso é errado. Ele, que tinha um pouco mais que velhinho do amendoim, não se importou em ajudar, mesmo que fosse com tão pouco.

Que bom seria se todos fossem como crianças. Mas no decorrer da vida as pessoas vão adquirindo sentimentos ruins como a ganância, a inveja e o orgulho, sentimentos que não existem quando se é pequeno.

Comigo também foi assim. Tento mudar, mas às vezes não faço esforço algum, ou se faço, não consigo, porque é algo mais forte que eu. Será que ainda resta um pouco de "criança" em cada ser humano? Tomara que meu primo cresça assim.

Um comentário:

tathi disse...

Nossa amei o blog !!!

Seu primo então, nem preciso dizer né ?!!!

Ah e não acredito que eu perdi o chocolate, agora vou voltar aqui sempre, não quero perder mais nenhum prêmio...

Saudades sumido...

=]