segunda-feira, 19 de abril de 2010

Falta de respeito na Vila

Se tem algo que me irrita é a falta de respeito às pessoas idosas. Na medida do possível, procuro sempre respeitar os mais velhos, seja nas filas, na igreja, na hora de atravessar a rua, em qualquer lugar. Idoso merece respeito sempre.

Mas tem horários.

Por exemplo, deveria haver um horário para idosos nos bancos, lotéricas e transporte coletivo. Por que eles tem de ir nesses lugares bem na hora que a gente mais precisa usar? Quando eu ia trabalhar de ônibus, às 6h15, lá estavam os idosos indo passear, ocupando aqueles preciosos lugares. Na volta, às 18h, lá estavam eles de novo.

E quando entram, ficam de cara feia esperando que a gente dê lugar pra eles. Nestes horários? Aqui, ó! Não dou não.

Mesmo assim, os idosos merecem todo o respeito

Escrevi isto para chegar onde quero. Ontem ocorreu uma grande falta de respeito em rede nacional. Um senhor foi desrespeitado perante milhões de espectadores que assistiam ao jogo Santos x São Paulo, pela semi-final do Campeonato Paulista.

O senhor a que me refiro estava no gol do time do São Paulo. Quem faltou com respeito? Um moleque aí, que nem história tem para contar, ao contrário do senhor goleiro. Abusado. Folgado. Como um trombadinha que se aproveita da ingenuidade, cegueira, Alzeheimer e bolsas de colostomia de pessoas idosas. E o pior: na frente de milhares de pessoas que, em vez de ajudarem o senhor, deram risada e aplaudiram a malandragem do moleque. Onde vamos parar desse jeito?

Na hora do penalti, aquela paradinha quase quebrou a perna do idoso, que fez força para voltar, num gesto sobrehumano para ele. Além de humilhar, o moleque torceu a perna da vítima e ainda dançou depois.

Uma grande falta de respeito com um senhor de idade!

Mas, convenhamos, o que um senhor daquela idade estava fazendo no playgraynd da Vila Belmiro? As crianças acabam sacaneando mesmo.

O goleiro entrou no ônibus dos Meninos da Vila, mas em horário indevido. Pediu lugar pra sentar. Os meninos certamente não deram e ainda debocharam:

"Aqui, ó! Não dou não."

sábado, 17 de abril de 2010

Mais três livros pra ler


Eu não resisto a um sebo.

No sábado é praticamente impossível andar no centro de Londrina. Pra estacionar, então, nem se fala. Foi cerca de meia hora pra chegar onde eu queria. Mesmo assim, andei alguns quarteirões a pé mesmo, pra evitar o estresse.

Na volta, não resisti e passei no sebo. Lá o tempo passa que eu nem vejo. Ficaria o dia todo lá dentro, só procurando livros, CDs e revistas que eu curto. Mas a minha cota é sempre meio curta. Mesmo assim eu não resisto.

Tenho livros que comprei há anos e que eu não li ainda. Mas estão lá na minha estante.

Hoje jurei a mim mesmo que iria apenas dar uma olhadinha e já ia embora. Quando percebi, já estava lá dentro há uma hora. E, sem perceber, com livros na mão. Nem terminei de ler os últimos que havia comprado, mas não resisti mais uma vez.

Estes são os que comprei hoje:

Meninos de Kichute

O autor é Márcio Américo e a história se passa na Vila Nova, um dos bairros mais antigos de Londrina, aqui pertinho. O livro, inclusive, virou filme há algum tempo. A história é sobre o próprio autor que, conforme vai contando sua vida de menino, vai contando também a história do bairro e, consequentemente, da cidade. Pelo menos é isso que eu li na contra-capa. 219 páginas, R$ 15.



Dom Quixote

Deste eu não preciso nem falar, afinal, só eu mesmo não o li ainda. Procurei bastante pra ver se achava o livro em espanhol, mas não encontrei. Minha professora do cursinho de espanhol que fiz no ano passado vai dizer que não procurei direito. Confesso que a capa do livro foi um dos principais itens que influenciaram a compra. O autor, como todos sabem, é Miguel de Cervantes. 186 páginas, R$ 18.



O Xangô de Baker Street

Este é do Jô Soares e conta uma história policial que se passa no Rio de Janeiro. O mais legal é que o detetive que vai resolver o caso de um violino roubado é ninguém menos que Sherlock Holmes. Estou ansioso pra ler. 349 páginas, R$ 15.









Custaram um pouco caro por serem comprados no sebo, eu sei, mas estão em perfeito estado, muito bons mesmo.

Conforme eu for lendo, vou postando no blog minhas opiniões. Acho que vai demorar um pouco, já que ainda preciso terminar a outra remessa que comprei no mês passado.

Alguém já leu algum destes três? O que acharam?

Comentem aí.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Santos joga pro gasto e vence apertado por 8x1

O Santos Jogou ontem na Vila Belmiro contra o Guarani pelo jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil. A vitória sofrida por 8x1 contra o time de Campinas devolveu o ânimo ao time, que não vencia bem desde o dia 21 de março, quando ganhou do Ituano, pelo Paulistão, por um também apertado 9x1.

Quem mais comemorou a vitória de ontem foi o técnico da equipe, Dorival Junior, que ultimamente colecionava vitórias magríssimas como 4x0 no Remo pela Copa do Brasil, 3x1 no São Caetano, 4x2 no Sertãozinho e no Botafogo-SP, 5x0 no Monte Azul e até um vergonhoso 3x2 contra o São Paulo, pelo Campeonato Paulista.

O jogo

O Santos começou mal e só marcou aos 3 minutos do primeiro tempo, quando a torcida já estava impaciente e ameaçava ir embora do estádio. Neymar, de penalti, depois de uma paradinha covarde. O 2º gol só veio aos 30, de novo com Neymar, que também fez o quarto, tabela de sorte entre Arouca e Paulo Henrique Ganso. O terceiro foi de Robinho, também depois de passe de Ganso. O Santos estava perdido em campo.

E o primeiro tempo virou com um perigoso 4x0. A torcida pedia a demissão do técnico, devido ao mal resultado que se desenhava na Vila.

No segundo tempo, Marcel, de penalti, fez o quinto. Depois, mais um gol de Robinho, o sexto. E este foi até bonito. Como em jogada de basquete, Marquinhos fez uma ponte aérea e o Rei das Pedaladas fez a cesta, ou melhor, o gol de cabeça. O Santos jogava mal e preocupava a torcida.

E a preocupação se transformou em desespero quando, de falta, Moreno diminuiu para o Guarani. 6x1. A torcida gritava: "Vergonha! Vergonha!" O resultado, que já não era bom, deixou Dorival Junior de cabelo em pé. O cargo estava ameaçado.

Mesmo jogando mal (uma de suas piores partidas no ano) Neymar ainda fez mais dois gols na partida. Final: 8x1. O Santos escapou da crise, pelo menos por enquanto. O técnico Dorival Junior escapou de perder o emprego, pelo menos por enquanto.

Veja os gols e a vitória suada do Santos.

Agora, o time da baixada santista vai a Campinas com uma vantagem de apenas sete gols. O Guarani tem grandes chances de se classificar.

No dia do aniversário de 98 anos do Santos, um resultado medíocre dos "Meninos da Vila".

A crise santista é preocupante.

A bruxa está à solta.

terça-feira, 13 de abril de 2010

O Lobisomen

Ontem assisti no cinema o filme "Lobisomen". É uma refilmagem do original de 1941. Na história, que se passa na Inglaterra antiga, um homem é morto por uma estranha fera. A esposa dele então decide chamar o irmão do rapaz, que é ator e está na América, para voltar para casa e tentar descobrir o que aconteceu com o irmão. Ele então volta e, ao investigar o caso, é atacado pelo lobisomen e acaba se tornando um.



Não gostei do filme.

Confesso que me assustei em algumas partes de suspense, mas algumas cenas eram muito trash. Muito sangue e terror mesmo, nada. O lobisomen era só um homem maquiado e não era nada assustador. O engraçado é que ele se transformava, ficava maior, mas as roupas parece que aumentavam e diminuíam de acordo com o tamanho do cara. Em suma, era um lobisomen bem elegante.

A história não tem profundidade: de repente, existe um lobisomen que ataca todo mundo e acaba mordendo o rapaz que também se torna monstro. No fim, aparece outro lobisomen. Os dois brigam, um morre. O que mata depois é morto com uma bala de prata, mas acaba deixando sua herança genética, já que deixa um detetive ferido.

Não dá para entender de onde veio a maldição, se é de família, se foi uma bruxa, se veio do inferno, sei lá. As transformações parecem do clip "Thriller", do Michael Jackson, aliás, naquele clipe, ele está muito mais assustador do que o lobisomen do filme de ontem. Acho que até a Fera, de "A Bela e a Fera" me deu mais medo.

A parte boa do filme, é a crueldade do lobisomen. Isso não dá para negar. Ele estraçalha mesmo. O ruim é que não há uma história legal, não há um porquê para tudo e nem um fim satisfatório. E nem é assustador. Está mais para filme do "Zé do Caixão".

Gosto de fimes de terror que não me deixam dormir depois. Daqueles em que eu fico com medo de olhar debaixo da cama ou pela janela do quarto. Daqueles em que a musiquinha de suspense fica na cabeça durante uma semana. Daqueles que fazem vocês se assustar por qualquer coisa em casa. Isso sim é que é filme de terror.

Não sou crítico de filme e nem entendo sobre o assunto. Longe disso. Mas o de ontem realmente me decepcionou. Ainda bem que paguei só R$ 5,00 no cinema de Ibiporã.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Jack Tricolor x Billy, the Fish

Para quem quer ler uma crônica incrível sobre o jogo de ontem entre São Paulo x Santos, pode clicar aqui e ir direto ao blog do Torero.

Ele transformou os dois times em caubóis do velho oeste: Jack Tricolor contra Billy, the Fish, e fez os dois se enfrentarem nas ruas empoeiradas de Paulistão City.

Este desenho eu copiei de lá e são de um ilustrador chamado André Bernardino.

Torero, já fez isso nos últimos campeonatos brasileiros. Transformava equipes de futebol em caubóis e fazia os confrontos de acordo com o resultado do jogo. Vale a pena ler, é muito criativo. O último confronto feito por ele foi entre o próprio Billy, the Fish contra Big Green, este que acabou saindo vencedor.

sábado, 10 de abril de 2010

A morte de Altiva

Eu tinha só 10 anos de idade quando a novela "A Indomada" foi ao ar pela Rede Globo. Mas eu ainda me lembro perfeitamente de uma cena: a morte de Altiva, a vilã da novela.



A Altiva, interpretada por Eva Wilma foi uma das melhores vilãs que eu já vi. Além de horrivelmente má e megera, era também muito engraçada. Seu toque de humor vinham nas palavras em inglês que ela sempre dizia: "Of course", "My God". Inglês com sotaque nordestino, o que ficava muito engraçado.

Acho que foi a partir daí que eu comecei a gostar de vilões (da ficção, que fique bem claro). Sempre torço para finais surpreendentes, como vilões se dando bem.

A cena em que Altiva morre é demais. Ela tenta matar a Adriana Esteves (não me lembro o nome da personagem), mas acaba morrendo queimada. Na cena, Eva Wilma é sensacional. Altiva se utiliza de jargões utilizados em toda a trama, como "Maria Altiva Pedreira de Mendonça e Albuquerque nunca morre", ou "Yes" muitas vezes, "My God", etc.

Postei aí em baixo a cena da morte de Maria Altiva Pedreira de Mendonça e Albuquerque que eu encontrei no Youtube. Vale a pena ver.

E o melhor é que, ao morrer, ela aparece numa nuvem de fumaça sobre a cidade e promete vingança. É claro, como os vilões tradicionais, ela promete voltar, mas com um sonoro "I'll be back". Sensacional.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Minhas primas me odeiam

Não sei porquê, mas elas me odeiam. Eu que tenho tanta facilidade com crianças, as crianças gostam de mim, mas minhas primas não. Ontem mesmo, parecia uma creche. Eu moro do lado de uma escola e antes da aula, a molecada vem aqui em casa conversar comigo à toa. Esses dias eu escutei eles discutindo quem era meu amigo há mais tempo.

Mas com as minhas primas é diferente. Não posso dizer que são todas, claro que não são. São as mais novinhas. Aquelas com um, dois, até três anos.

A Maria Luiza, por exemplo, tem uns três anos e me odeia. Ela fala de tudo, com todo mundo, conta histórias, uma gracinha. Mas quando me vê, fecha a cara. Uma vez, eu estava sentado na frente dela e ela estava olhando para um lado. Para que ela pudesse olhar para a mãe dela, que estava chamando, teria que passar o olhar por mim para chegar à mãe, que estava do outro lado. Pois a filha da mãe foi virando a cabeça, virando, virando, e quando o olhar passaria por mim, ela fechou os olhos. Só abriu quando chegou do outro lado.

Ela nunca veio no meu colo. Ela nunca falou comigo. Ah, falou sim, umas duas vezes, quando ela veio pedir meu capacete, porque ela adora capacetes. Mas foi puro interesse. E eu nem vou falar aqui que ela já me chutou, deu tapas e esnobou. E eu juro (e olha que dizem que não se pode jurar), juro mesmo, que nunca fiz nada de errado àquela menina!

Já com a outra prima, a Isadora, que tem quase um ano, é diferente. Bem diferente. É muito pior! Aquela lá jamais me deu um sorriso. Jamais me deu um abraço. Jamais me mandou um beijo. Jamais fez algo para mim que lembrasse qualquer tipo de carinho ou simpatia. Pelo contrário.

Quando meu tio chega em casa com ela, a menina fica olhando, olhando, olhando. Sabe quando você olha só para vigiar, porque se você virar as costas aquilo que você está olhando vai te pegar? Parece que é assim que ela me vê. Se eu chego perto, ela vira e abraça quem a estiver segurando (e quando eu digo "quem a estiver segurando" eu quero dizer qualquer pessoa mesmo, porque ela só não vem comigo).

Eu sou assim:

Mas a Isadora me vê assim:

Quem me vê escrever isto pode até dizer que é exagero e que a Isadora é só um bebê. Mas não é. Como é que com todo mundo ela brinca, sorri, abraça e manda beijo e pra mim não? Ela sabe muito bem o que está fazendo.

Mas anteontem eu me vinguei. Depois de tentar pela 53264º vez pegar ela no colo, eu consegui. Mas ela aprontou um berreiro tão alto, que parecia que, em vez de pegar no colo, eu tinha quebrado o braço, arrancado os cabelos, esmurrado, jogado no chão e apertado até os olhos saltarem para fora, tamanha era a gritaria e o pânico que podia se ver nos olhos daquela criança.

Desisti. Saí pra rua. Quando voltei, lá estava ela, brincando sozinha na área de casa, sorrindo. Quando me viu, parou, como os zagueiros paravam na frente de Garrincha e como param hoje na frente de Messi. O silêncio se fez. Dois caubóis esperando o menor movimento do adversário para sacar a arma com mais rapidez. Mas desta vez eu venci.

Gritei: "Chora! Chora! Chora! Eu cheguei! Chora!" E batia no muro enquanto falava.

Ela entrou em desespero e começou a chorar, esguelar e espernear de terror. Minha tia veio ao socorro da garota. Meu dever estava cumprido. Soltei a mesma risada do final de "Thriller" e entrei em casa. Depois até me arrependi, porque sei que agora é que ela não vai mesmo gostar de mim.

Hoje a minha tia me perguntou se eu poderia tirar fotos no aniversário dela de um ano. É claro que eu recusei. Eu gosto muito da Isadora, mas se for eu o fotógrafo, a coitada vai ficar com cara de pânico em todas as fotos. Vai ser o pior aniversário da vida dela. A primeira palavra que ela disse será "Danilo". Vou à festa, mas disfarçado.

A não ser que eu coloque uma máscara de Chuck, de Jason, de Pânico ou Michael Jackson. Com certeza ela tem menos medo deles do que de mim.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Messi no Santos

Não, ele não vem jogar na Vila, se bem que deve ser o maior sonho dele. Mas às vezes eu imagino Robinho, Neymar, Ganso e Messi jogando no Santos. Já pensou?



Aliás, o Barcelona está se mostrando um time tão bom, mas tão bom, que acho que só poderia ser derrotado pelo Santos mesmo.

domingo, 4 de abril de 2010

Pecado imperdoável

Simão está apenas voltando do trabalho, quando vê uma pequena multidão, gritando. Alguns dão risadas altas, outras dizem palavras de baixo calão. Outros ainda cospem, pisoteiam e batem em alguém. Simão fica preocupado. Mas a curiosidade é maior que a compaixão. Ele vai até lá perto e vê que são rapazes aparentemente ricos, pelos carros importados mal estacionados. Eles espancam um morador de rua que, sem poder se defender, nada responde. Apenas apanha. A polícia chega, os rapazes vão embora. Simão, que está atrasado, finge que não vê, dobra a esquina e pensa: "É só um morador de rua mesmo".

Madalena tem um cartaz bem grande na cidade onde mora. Todos a conhecem como a caçadora. Quem tem mais medo dela são as mulheres casadas. Os olhos de homens casados, solteiros ou viúvos sempre reparam no corpo escultural da ainda jovem Madalena. A bola da vez é o padre da paróquia. Com vestidos bem justos e decotes gigantes, ela entra na igreja aos domingos. Um dia, ao vê-la, o padre até errou a oração da Ave-Maria, sendo motivo de sarro dos fiéis. Madalena estava dentro do carro, dirigindo e terminando de se maquiar ao mesmo tempo. Ela pára no farol, quando uma criança de uns cinco anos de idade, com os olhos fundos de fome pede comida. Mas ela está muito atarefa e atrasada. Está indo "ver o padre", como ela mesma diz. Sai ainda no sinal vermelho e, apressada, acaba atropelando a criança. Ela percebe uma batida e diz: "Cachorro infeliz, tomara que não tenha arranhado o para-choque".

Longino foi, durante muitos anos, sargento do exército. Seu jeito durão e sistemático metia medo em quem chegasse perto. Sempre fardado, mesmo depois aposentado, não faltava a uma missa sequer. Respeitado pelo padre, ministros da eucaristia e sacritãos, Longino tinha fama de santo, já que dava ofertas generosas à paróquia, motivo pelo qual tinha sempre lugar cativo nas celebrações e festas promovidas pela igreja. Além de ganhar, de graça, bençãos especiais até do bispo. Em frente a essa mesma igreja, lá está Longino, quando vê um grupo de pessoas batendo em dois bonecos, um com a cara de uma mulher e outro, de um homem. Parece que são recém condenados pela morte de uma garotinha de quatro anos. É a malhação do Judas. Sem titubear, Longino vai até lá, pega uma lança feita por um dos participantes e acerta em cheio o peito de um dos bonecos. As crianças olham com admiração e medo. Ele cospe no chão e diz: "Traidor tem mesmo é que morrer". As crianças assobiam e batem palmas mesmo sem saber quem foi Judas.

Verônica é daquelas mulheres com mania de comprar roupas. O guarda-roupas dela é do tamanho da parede. Vestidos e mais vestidos. Calças e mais calças. Sapatos e mais sapatos. Tênis e mais tênis. Blusas e mais blusas. Aos montes. Mais da metade está até com etiqueta ainda. Algumas ela nem se lembra como comprou, só sabe que foi no impulso. É sexta-feira e Verônica se prepara para sair. Um dia antes, como que por milagre, ela juntou várias peças de roupa que não usaria mais. Queria se desfazer delas. Um pouco antes de sair de casa, ela ouve uma propaganda no rádio dizendo que a Pastoral da Criança da cidade onde mora está arrecadando roupas para fazer um bazar beneficente. Verônica se empolga. Mas ela não aguenta mais ver aquelas roupas "velhas" lá no canto da sala, ensacadas. Sem paciência e já atrasada, ela joga as roupas na beira da rua e bota fogo. Verônica pensa: "Estavam muito velhas mesmo".

Dimas acabou de sair da prisão. Estava preso por assalto a mão armada. Cumpriu a pena e agora, em liberdade, seu maior desejo é reconstruir a vida com dignidade. Quer ir à Igreja e aproveitar a semana santa. Ele está andando depressa, pois está meio atrasado. No caminho, Dimas dá de cara com um homem cego, sentado à beira da calçada, pedindo esmolas. O impulso fala mais alto e Dimas rouba algumas moedas do recipiente onde o cego guardava as esmolas. Ele aperta o passo e pensa: "Vagabundo, em vez de trabalhar, finge que é cego pra viver às custas dos outros".

Simão, Madalena, Longino, Verônica e Dimas moram cada canto um em um canto da cidade, não se conhecem, mas estão indo ao mesmo lugar. Todos se consideram pessoas de bem, sem pecado e boas de coração. Todos vão à missa aos domingos, sentem orgulho de si mesmos e gritam isso aos quatro ventos. Hoje, Sexta-Feira santa, um dos dias mais importantes do ano para os cinco, eles se encontram com os outros fiéis para a celebração da morte de Jesus. Eles estão atrasados e não podem perder tempo com coisas fúteis que encontram no meio do caminho. Vai que chegam atrasados à celebração. E isso, segundo eles, é pecado imperdoável.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Proezas do Menino Jesus



Vou aproveitar a Sexta-Feira Santa (ou Sexta-Feira Maior, como diz minha avó) e falar sobre Jesus. Mais precisamente sobre o menino Jesus. Mais precisamente ainda sobre as proezas do menino Jesus.

Andando meses atrás em um sebo de Londrina (como eu adoro sebos!), procurava algum livro que me interessasse. De repente, meio sem querer, encontrei um com o título "Proezas do Menino Jesus", de Luís Jardim. Todo velho, meio sujo, usadão mesmo. Nunca tinha lido nada deste autor. Como a obra custava só R$ 3,00, comprei.

Mas o que eu nunca imaginava era que seria um dos melhores livros que já li em toda a minha vida.

Para começar, ele todo é meio poesia, meio prosa. Conta a história do menino Jesus. Como na Bíblia não há essa parte, o autor resolveu escrevê-la e acabou contando a história de um menino comum, que vive no interior de qualquer cidade pelo Brasil afora. Tinha amigos, brincava, e fazia tudo o que um menino normal faria.

Luís Jardim se refere à mãe de Jesus como Dona Maria e ao como como o Velho José. Jesus também tem amigos: Pedro, dois Tiagos (um dos quais era chamado de Tiá), Judas, Francisco (o menino que gostava dos animais), João, Bartolomeu e outros. O menino Jesus também conversava com os animais.

A maneira como o autor conta a história é tão cativante, que dá vontade até de chorar. Jesus e os amigos fazem muitas brincadeiras. Numa delas, um circo, cada um tem de fazer um número. Jesus faz mágica. Depois faz instrumentos tocarem sozinhos. Pedro, conversando depois com o menino, insinua que aquilo que ele faz parece até milagre, mas Jesus insiste que são truques.

O mais legal é que, no decorrer da história acontecem coisas que ainda vão acontecer na vida adulta do menino, como as tentações, a mulher adúltera (no livro, a menina Madalena), os vedilhões do templo. Mas em cada caso, Jesus resolve de uma maneira bem criança de ser. É lindo!

E há passagens lindíssimas, como o capítulo "Um sonho dentro de um sonho". O menino Jesus sonha que ele mesmo está sonhando:

"Se neste sonho quem sonha não sabe que o sonho do outro menino é o mesmo sonho de quem sonhou; e se não sabe que o menino sonhado é o mesmo menino que sonha; se não sabe é porque não é tempo ainda de o menino saber que Ele era antes, é agora e será para o resto do sempre depois. Ele nasceu, mas antes do antes já era; Ele morreu, mas está vivo no Depois. Tudo cabe no espaço, mas Ele passa o infinito. Nem d’Ele se diga: foi; e nem d’Ele se diga: será, que Ele é Aquele que É."

O próprio menino ainda não entendia bem o que fazia na Terra. E foi a parte que mais me marcou. Li e reli várias vezes tentando entender. E ainda hoje retorno de vez em quando tentando encontrar outras respostas.

Cada vez que o menino realizava alguma "proeza" alguém dizia: "Ensaias agora, menino, teus passos na vida depois", mas ele mesmo não entendia. Inclusive o livro termina assim, quando Jesus vai embora da cidade onde mora e escolhe um caminho bem estrito e pedregoso, que tem uma cruz lá no final. E o menino João, amigo de Jesus, repete a frase, com os olhos cheios de lágrimas.

Se há uma só palavra para descrever o livro "Proezas do menino Jesus", esta palavra é: MARAVILHOSO.

Todas as pessoas deveriam ter a oportunidade de ler. A sensibilidade com que o autor descreve cada fato é tamanha, que não dá nem para descrever. E olha que o encontrei por acaso, jogadinho lá no canto do sebo.

Você que está lendo isso, pode ter certeza de que o livro "Proezas do menino Jesus" é muito melhor do que isso que eu falei. Terminei de lê-lo no final do ano, mas até agora não encontrava palavras para fazer uma postagem legal. Aproveitei a Sexta-Feira Santa, mesmo assim, as palavras não vieram como eu queria.

Por isso, fico apenas com esta:

MARAVILHOSO.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Fly, Fly, Fly...

Fazia um tempinho já, eu procurava na Internet um desenho que eu assisti quando era novinho. O nome, que eu me lembre, era Fly. Eu me lembrava perfeitamente da música de abertura, das vozes, mas não conseguia encontrar nada a respeito na web.

Me lembrava vagamente de algumas coisas. Que o Fly era um menininho guerreiro que vivia em uma ilha cheia de monstros, mas eram montros do bem. O avô dele - até ontem eu achava isso - era uma cenoura que falava. Lembro também que esse avô queria ensinar magia para o Fly, mas ele não queria. Ele queria mesmo era ser herói e não via relação entre heroísmo e magia. Por isso, não levava a sério as aulas.

Estava começando a achar que o desenho havia sido imaginação minha.

Mas não era.

Encontrei uma galera neste final de semana em um acampamento em Mauá da Serra. Os caras são fanáticos por desenhos animados e acabou rolando uma retrospectiva desenhística. De repente, um gritou: "Nossa, alguém se lembra do Fly?" E começou a cantar a músiquinha de abertura: "Fly, Fly, Fly, quer a paz que o inimigo destrói..."

Depois eu até disse que não conseguia encontrar nada sobre o Fly na Internet e eles me disseram que era pra eu procurar como "Dragon Quest", que era o nome original. Quando cheguei em casa, a primeira coisa que fiz foi procurar o tal "Dragon Quest". E não é que encontrei!

Confesso que fiquei até emocionado, porque eu adorava, principalmente por causa da música de abertura. A voz do menino cantando é muito legal, talvez a melhor canção de desenho animado que eu já ouvi.

A série foi apresentada pelo SBT em 1996, quando eu tinha 9 anos de idade, mas nunca foi concluída. O nome era "Fly, o pequeno guerreiro". Depois, descobri que o tal avô era o único montro na ilha que tinha algum tipo de inteligência e acabou se tornando o responsável pela ilha, depois que os montros foram mandados para lá. Fly era o único humano no lugar e possuía um poder oculto, mas ninguém sabia disso. É um pouco parecido com Dragon Ball.

Postei aqui o vídeo de abertura de "Fly, o pequeno guerreiro". A música é muito bonita e bem cantada. A voz também é bem legal.



Fly, Fly, Fly
Quer a paz que o inimigo destrói
Fly, Fly, Fly
Um pouco de mago e muito de herói


Voar em terras distantes
Ser um herói de verdade
Aprender a usar a magia
Em horas de dificuldade
Vovô sempre quis me ensinar
Um dia vou ter que aprender
Pra lutar contra as forças do mal
A gente tem que saber
Se entender que precisa de ajuda
A justiça em primeiro lugar
Pois todo herói de verdade, pelo bem sempre tem que lutar


Fly, Fly, Fly
Quer a paz que o inimigo destrói
Fly, Fly, Fly
Um pouco de mago e muito de herói


E aqui vai um episódio. O primeiro.



E mais um, agora, da primeira parte do episódio número 26.

sábado, 27 de março de 2010

E o espetáculo chegou ao fim... ahhhh

Um show. Realmente um espetáculo sem precedentes.

Assim eu resumo o julgamento do casal Nardoni, que terminou ontem. Tenho certeza de que, quem foi só no show da Beyoncè, ou na final da Libertadores da América, ou na visita do Papa, terá inveja mortal e infinita de quem participou no show do julgamento.

A imprensa fez festa. De minuto em minuto o SBT, a Globo, a Record, o UOL, Terra, Jovem Pan, aparecia com um repórter ao vivo mostrando ou falando sobre a movimentação. Não havia nem mais o que falar. As informações se repetiam. Ao fundo, as pessoas gritavam.

Para começar, desde março de 2008 o casal já estava condenado pela imprensa. O promotor Francisco Cembranelli já afirmava com todas as letras aos veículos de comunicação a culpa de Alexandre e Ana Jatobá. E os jornais aceitavam.

Agora, com a condenação do casal, Cembranelli sai do fórum como um herói. A imprensa também sai vitoriosa, afinal foi uma causa defendida pelos dois.

Mas, confesso, estava torcendo bastante para que a defesa achasse uma prova de que os Nardoni eram inocentes. Assim, colocava uma fita crepe na boca de quem condena antes do julgamento. Atitudes que podem terem influenciado até mesmo os jurados, que, em tese, são neutros. Como assim, neutros, se eles já sabiam do caso e viam o noticiário há dois anos?

Pelo fato de promotor e imprensa terem condenado antes, a população também foi influenciada e acabou fazendo aquela tremenda baixaria na porta do tribunal. Um resolveu fazer homenagens apelativas e pedir pena de morte. Os outros pediam linchamento. Li no UOL que um menino de 10 anos gritava “Vamos arrancar o pescoço desse desgraçado!”

A população pode estar cansada de atos de injustiça, mas esta mentalidade não leva à justiça. Eu ficava realmente chocado quando via na TV as manifestações da galera do lado de fora. Quem faz linchamento se torna igual à pessoa que está sendo linchada. Ou pior. Quem quer pena de morte não sabe o efeito que isso traz.

Centenas de crianças morrem em situações piores do que a da Isabela. Nos morros, nas favelas, nos subúrbios. Morrem de fome. Mas ninguém faz manifestação contra as prefeituras que não repassam o dinheiro corretamente. Ninguém faz manifestações quando os vereadores aprovam o aumento dos próprios salários. Ninguém faz manifestação quando os congressistam elaboram leis em causa própria. Será que isso não é uma forma de assassinar pessoas inocentes pelo Brasil afora?

Cada vez que um deputado falta na sessão de votação de um projeto de lei, uma criança morre de fome aí perto de você, que está lendo isso. Pode pesquisar, pertinho de você tem gente aí morrendo com bala perdida, tem criança traficando. Mas a população só fica indignada quando a violência chega à classe média, como foi esse caso. Como foi o caso do João Hélio.

Ontem, no jornal no SBT, a notícia que passou antes do caso do julgamento, foi uma menina de 17 anos morta com tiros a queima roupa. Se fosse nos Jardins, todo mundo ia lá fazer manifestação. Mas como foi numa favela de São Paulo, vai ficar por isso mesmo.

Podem escrever, porque está nas cartas do Tarô: daqui a 30 anos, quando saírem da cadeia, Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá, terão saldado a dívida com a justiça, mas a sociedade verá eternamente os dois como os "malvados pai e madrasta que assassinaram a pobre Isabela".

O casal Nardoni foi condenado sim. Fez-se justiça. Foi provado que eram culpados. Mas Alexandre e Ana Carolina entraram neste juri só para saber a pena. Porque já estavam condenados há muito tempo.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Memória de elefante

Como todos já sabem, não costumo ler estes emails encaminhados, com mensagens lindas e maravilhosas que refletem sobre a vida e nossa condição humana. Blarh!

Mas este vale a pena. Vale mesmo. Leiam.

"Em 1986, Peter Davies estava de férias no Kenia depois de se graduar na Northwestern University.

Em uma caminhada ele cruzou com um jovem elefante que estava com uma pata levantada.

O elefante parecia muito estressado, então Peter se aproximou muito cuidadosamente. Ele ficou de joelhos, examinou a pata do elefante e encontrou um grande pedaço de madeira enfiado. O mais cuidadosa e gentilmente possível Peter removeu com a sua faca o pedaço de madeira e o elefante cuidadosamente colocou sua pata no chão.

O elefante virou para encarar o homem com grande curiosidade no seu rosto e o encarou por tensos e longos momentos. Peter ficou congelado pensando que seria pisoteado.

Depois de um certo tempo o elefante fez um barulho bem alto com sua tromba, virou e foi embora.

Peter nunca esqueceu o elefante e tudo o que aconteceu naquele dia.

20 anos depois, Peter estava passando pelo Zoológico de Chicago com seu filho adolescente.
Quando eles se aproximaram da jaula do elefante, uma das criaturas se virou e caminhou para um local próximo onde Peter e seu filho Cameron estavam.

O grande elefante encarou Peter e levantou sua pata do chão e a baixou, ele repetiu varias vezes emitindo sons altos enquanto encarava o homem.

Relembrando do encontro em 1986 Peter tinha certeza, é o mesmo elefante. Peter reuniu toda sua coragem, escalou a grade e entrou na jaula. Ele andou diretamente ate o elefante e o encarou.

O elefante emitiu outro som alto, enrolou sua tromba na perna de Peter e o jogou contra a parede matando-o. Provavelmente não era o mesmo elefante e ele se fudeu!

Esse e-mail é dedicado a todos os que mandam aquelas histórias melosas e cheias de finais felizes, que já me encheram o saco!!!"

domingo, 21 de março de 2010

Só um pensamento

Se Ituano, Bragantino, Grêmio Prudente, Rio Branco e Naviraiense são equipes tão ruins quanto dizem palmeirenses, corintianos e sãopaulinos, por que então Corinthians, São Paulo, Palmeiras e outros times tão "bons" não golearam estas equipes tão fracas, assim como fez o Santos?

ATUALIZAÇÃO: Acabei de ler o blog do Juca Kfouri, que disse que "nada mais justo do que a maior goleada do campeonato ir para Itu". Perfeito.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Nota 10

Como está bonito ver o Santos jogar. E não adianta os chatos virem falar que os 10x0 foram porque o Naviraiense é um time muito fraco. Porque não foi apenas por isso.

Realmente, o time do Mato Grosso do Sul era muito frágil, mas o Santos teve um respeito muito grande. Não fez firula, finalizou bem e criou trocentas jogadas de gol.

Geralmente, quando um time abre uma boa vantagem, começa a tocar de lado, fazer gracinha, administrando o placar. Uma grande falta de respeito com a torcida e com o adversário. Hoje não. No intervalo, quando o jogo estava 6x0, o técnico do Santos tirou um zagueiro e colocou um meia-atacante. Aí sim. Time que quer ser campeão tem de jogar assim.

Enquanto isso, na Globo, o Corinthians empatava num jogo horroroso.

Enquanto isso, o Flamengo vencia o Caracas num jogo horroroso.

Enquanto isso, o Fluminense vencia por 2x0 o Confiança num jogo horroroso.

Ultimamente vemos tantos jogos ruins, sem graça, sem alegria. O São Paulo é mil vezes melhor que o Oeste, mas jogou tão mal, que eu dormi aos 30 do primeiro tempo. Depois fiquei sabendo que o jogo ficou 0x0 mesmo. Ainda bem que eu dormi. O Corinthians ganhou no finalzinho por 1x0 do São Caetano, que é mil vezes pior. E o Mano teima em deixar o Dentinho no banco.

Portanto, repito, é bonito ver o Santos jogar.

Não sei quando verei novamente um 10x0. Talvez nunca mais. Me sinto privilegiado.

O jogo de hoje da Vila Belmiro foi nota 10. Literalmente.