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quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Eu e o futebol – o fim após o fim

Para quem acha que o fim é mesmo o fim... ERRADO. Depois do fim, pode haver mais ainda para que o verdadeiro fim chegue. Alguém acredita que depois que desisti da carreira de jogador de futebol, eu acabei voltando?

Mas acreditem. Ainda insisti. No auge dos meus 16 continuei treinando, correndo, chutando. Craque nada, esforçado sempre. Sabia que jogar em clube não dava mais, por isso, me dediquei ao futebol alternativo, mais conhecido como futebol de interior. “Várzea”, pejorativamente falando.

Bom, para jogar no “interior” não é preciso ser muito bom de bola. Basta ser como eu, esforçado e gostar de jogar. Garanto que todos (todos mesmo) conseguem uma vaga em algum time.

Mas, continuando a história, era o primeiro jogo do campeonato. Lembro que era um domingo, dia 4 de agosto. Eu estava muito empolgado, afinal era a primeira vez que ia jogar no mesmo time do meu pai. E eu era titular. Pelo menos ali, não é?

Primeiro tempo passa e nada de gol. Começa o segundo tempo. Lançamento em profundidade para... mim. Consegui chegar na bola, na frente do goleiro, mas quando coloquei o pé direito no chão, já quase para chutar... ouvi um clac...

Bendito buraquinho no chão!

Resultado: três meses sem andar, oito meses e meio à espera de um cirurgia no SUS, um ano e meio sem pensar em futebol, um ano e meio tomando cuidado até para descer meio fio (claro que de vez em quando não dava certo e o “clac” dava o ar da graça), e dois parafusos e uma cicatriz enorme no joelho. Para sempre.

Segundo o médico, rompi um tal de ligamento cruzado. Até hoje não entendi direito.

Esses dia atrás, voltei ao médico para fazer um xecáp, e ele disse que estava tudo bem, mas havia um porém. VOCÊ PRECISA FAZER UM REGIME, por que senão, o joelho não agüenta!

Fiquei muito triste, afinal, fazer regime e não jogar futebol pelo menos de vez em quando são coisas horrorosas, desesperadoras, não gosto nem de pensar. Imagina, regime. Mas estou tentando. De três meses para cá, já consegui emagrecer 0,5 kg. Já é alguma coisa.

Foi difícil. Mas, por falar em hoje, os parafusos deram certo e posso jogar futebol normalmente. Ô raça! Quando a gente gosta, é isso mesmo. Inclusive, acho que vou jogar hoje.

Por que eu ainda insisto?

Futebol é ímã.

(Homenagem ao meu amigo Maurício)

sábado, 19 de julho de 2008

Eu e o futebol – o fim, ALELUIA

(A última parte da saga)

Vou dar uma de Tia Penha: Gente, só pode ser jogador de futebol quem é muito muito muito bom de bola. Ou tem um bom padrinho. Se você não tem alguma dessas qualidades, esquece!

Pois é. Depois de muito tempo, descobri que eu não tinha nenhum dos dois. Mas vou contar certinho. Comecei a fazer os testes nos clubes. Cheguei até a passar na Portuguesa, mas, sabe como é né...

Tentei também no Londrina Esporte Clube, nosso querido LEC, mas, de novo, não deu em nada. Ah, e tinha amigos meus que passavam e não iam, ou não gostavam de treinar, ou vendiam os passes que o clube dava para comprar sorvete. Eu ficava indignado.

No PSTC também não faltou testes, mas lá foi pior ainda. Ficava de fora e jogava uns cinco minutos e nem pegava na bola. Lá foi onde fiz mais testes, uns 156 mais ou menos, sempre frustrados... Faltou habilidade. Faltou padrinho.

Um dia caí na real: Não dá!!! Não quero mais. Não sou bom de bola. Onde eu quero chegar? Foi a mesma sensação de quando descobri que Papai Noel e Coelhinho da Páscoa não existem. Mas foi mais real.

Cheguei em casa e falei para o meu pai que não queria mais jogar futebol. Pela cara que ele fez, acho que ele não gostou não. Depois disso, não sei porque, mas o meu pai nunca mais me deu uma chuteira...

Mas, mesmo sabendo de tudo isso, ainda me pergunto: Quem será o empresário do goleiro Doni? Quem será que foi o padrinho do lateral esquerdo da seleção, o Gilberto? De onde saiu esse tal de Afonso? Se alguém souber a resposta, me digam...

Hoje em dia, jogo futebol apenas por gostar. Porque, habilidade mesmo, nenhuma! Dinheiro, então... menos que habilidade. E meu futuro promete... promete pouco dinheiro e fama nenhuma. Totalmente ao contrário do que seria se eu fosse jogador de futebol...

Por quê?

Porque vou ser jornalista! Porque sou de esquerda! Porque apoio o MST! Porque odeio o neoliberalismo! E a pessoa que mais gostaria de conhecer neste mundo é o Lula!

Quer mais?

sábado, 12 de julho de 2008

Eu e o futebol – parte 2

(Continuação da história da semana passada)

Qual a diferença entre paixão e amor? Eu mesmo respondo.

O amor é algo que dura. Como disse Camões, “é fogo que arde sem se ver”. A gente não percebe. É algo além de uma amizade, talvez uma amizade com sexo, como disse Rita Lee. O amor é algo que não deixa a pessoa louca. O amor faz a pessoa compreender o outro, aceitar o outro, entender o outro. Por isso, como diz a carta aos Coríntios, “o amor é paciente, é compassivo...”, etc e tal.

Já a paixão é algo bem diferente do amor. Se o amor é amizade com sexo, a paixão é só sexo. É um fogo que a gente vê arder. Há ciúmes, há loucura. Quer-se tudo na hora, tudo vai dar certo, tudo é lindo, não há defeitos, não há nada ruim, tudo é maravilhoso, é um fogaréu danado, um quer o outro, vai atrás, não está nem aí para o que o outro pensa, eu te quero, eu posso te ter, você quer me ter, eu também... até que... o fogo apaga.

Talvez, a melhor definição da relação que tive com o futebol, durante toda a minha infância, se encaixe na paixão. Foi algo que surgiu do nada e sumiu no nada. Talvez eu até tenha aptidão pra jogar. Talvez um pouco de visão de jogo, um pouco de domínio de bola e um pouco de inteligência. Mas ainda é pouco. Muitos poucos. Pouco mesmo. De forma alguma culpo o meu pai por tudo o que aconteceu. Eu é que dei margem pra isso.

Depois que meu pai ficou sabendo que eu havia me destacado no treino de futebol, a primeira coisa que ele fez foi comprar uma chuteira pra mim. Lembro como se fosse hoje minha mãe chegando com um par de Umbro, treze cravos, preta, linda. Me animei, não faltava a um treino sequer.

Comecei a disputar os campeonatos pela minha cidade, pela minha escola. Acho que eu era escolhido porque era piolho de treino. Chegava meia hora antes e saía meia hora depois. Mas eu não estava nem aí. Eu estava representando minha escola e isso era o que importava. Quando voltava dos campeonatos, a gente ficava famoso na escola. Todo mundo perguntava como foi, e isso empolgava demais.

Estava adorando jogar futebol e, por isso, me animei a fazer testes em alguns clubes de Londrina. Meus amigos iam, então eu fui também. Foi quando descobri algo que mudou para sempre minha carreira de jogador de futebol.

(Sábado que vem, a última parte da história, para o deleite dos meus leitores. Não pelo grandioso desfecho, o gran finale, mas porque é o fim mesmo)

sábado, 5 de julho de 2008

Eu e o futebol - Parte 1

Qual o sonho de todo menino?

É, esse também era meu sonho. Era.

Todos os meninos querem ser jogador de futebol. Até se darem conta de que, para jogar futebol, assim como para qualquer outra profissão, é necessário um mínimo de talento. Um mínimo mesmo. Vê-se pelos "talentosos" jogadores profissionais que, inclusive, jogam na seleção.

Mas acontece que não só os meninos, mas também, muitos pais querem esse futuro para os filhos. Agora, uma fala de jogador de futebol: "Comigo não foi diferente". Meu pai jogava bem. O normal seria eu jogar como ele. Assim como foi normal que meu pai quisesse que eu seguisse essa carreira. Ele investiu nisso. Meu pai foi um grande jogador amador. Já eu, bom, eu...

Até os 10 anos, eu nem queria saber de bola. Enquanto meus amiguinhos jogavam na rua, em frente de casa, eu ficava sentado na calçada, só olhando. Até que um belo dia resolvi ir treinar num campinho perto de casa. Ao final do treino, o treinador nomeou os destaques. E, para minha surpresa, meu nome estava no meio dos "destaques". Lembro como se fosse hoje: "Danilo Felipe, 10 anos".

Mesmo sabendo que houve uns 15 destaques, num treino com 22 jogadores, eu achei mesmo que joguei bem. Afinal, meu nome foi pronunciado. Foi a maior surpresa da minha vida. Pensei: “Então, eu tenho aptidão para jogar bola! Como é que eu fiquei 10 anos da minha vida sem isso? É isso o que eu quero ser: jogador de futebol”.

Quando cheguei em casa, falei para o meu pai a incrível façanha. Foi meu grande erro. Era o início do fim da minha vida de jogador, que não duraria muito tempo.

(Na próxima sexta-feira eu continuo com a 2ª parte história, que é real e aconteceu mesmo)